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Marítimo

100 anos de história!



Pequeno relato da história do clube mais emblemático da Região Autónoma da Madeira

 

Origens
Tendo a sua formação estado ligada ao mar e aos que daí tiravam o seu sustento, desde cedo foi adoptado como a voz e a principal força desportiva das camadas mais baixas da população a contrapor com o carácter monárquico e elitista do Club Sports Madeira o seu principal rival nos primeiros tempos. Fundado por Cândido Gouveia (tem uma data de fundação algo incerta, sendo no entanto consensualmente apontado o dia 20 de Setembro de 1910), dada a crença numa nova ordem de progresso e liberdade (os ecos republicanos já se faziam fortemente sentir, levando a que a 5 de Outubro de 1910 fosse instaurada a República), adopta as cores conotadas com o Partido Republicano Português.
 
Os primeiros tempos
Desde cedo começa a evidenciar-se, primeiro em jogos de exibição, depois já com a disputa a partir de 1916 do Campeonato da Madeira, tendo ganho os dois primeiros títulos e perdido de forma inglória o terceiro para o Clube Futebol União, clube formado depois de uma cisão dentro do próprio Marítimo em 1914 e que cedo se tornaria durante épocas o seu principal rival. Contudo foi o União que impediu que o Marítimo viesse a fechar as portas mais tarde, devido a uma grave crise financeira, cedendo-lhe as suas instalações temporariamente. Com uma combatividade e raça fora do normal e evidenciada pelos jornais da época, o Marítimo exerce a sua supremacia a seu bel-prazer dentro das provas domésticas, quer em jogos de exibição que ia fazendo com equipas de fora do espaço da região. Era o modo das classes mais baixas descarregarem as frustrações de um dia-a-dia árduo, numa terra pobre como era a Madeira.
 
Campeão nacional
A partir da época 1921/22 é instituído o campeonato nacional português, chamado Campeonato de Portugal, jogado num sistema de eliminatórias (semelhante à actual Taça de Portugal), para o qual estavam habilitados a competir os respectivos vencedores dos campeonatos regionais das associações recentemente criadas. Naturalmente, e fruto do seu domínio a nível interno, os verde-rubros marcam inúmeras presenças na prova - 13 presenças em 17 edições desta competição. Depois de algumas tentativas, na época de 1925/26, o clube sagra-se campeão nacional, tendo vencido na final o Clube de Futebol Os Belenenses depois de uma caminhada épica, tendo disputado a final sido disputada no Porto. Estava criado o epíteto de Maior das Ilhas.
 
Exclusão das equipas insulares
No início da década de 1930, o clube entra numa grave crise financeira, não tendo no entanto a sua supremacia interna ter sido beliscada, fruto da abnegação dos seus atletas e simpatizantes. Vivia-se em pleno Estado Novo e provavelmente a Revolta da Madeira ocorrida ainda durante o período de ditadura militar em 1931, dificultou o aceder das equipas fora do espaço continental europeu português ao recentemente criado (1934) Campeonato da I Liga. A estas equipas restava o acesso à criada Taça de Portugal a partir de 1938/39, tendo o vencedor madeirense que disputar uma espécie de liguilha com o vencedor açoriano.
Os clubes insulares são impedidos de esgrimir os seus argumentos, tendo de se voltar para as suas competições internas, conseguindo nesta altura o clube a impressionante marca de 12 vitórias seguidas no Campeonato da Madeira de 1944/45 a 1955/56. No entanto, o contacto com equipas de fora prossegue, tendo na década de 1950 a equipa feita uma espantosa digressão por África, tendo elevado bem alto o nome da Região, enchendo de orgulho os seus naturais. A nível interno, o final de 50 e o início da década de 1960, a equipa passa por um período menos bom, assistindo a boas performances por parte do seu rival União.
 
Regresso aos nacionais
O Marítimo retoma entretanto nos finais da década de 1960 a senda das vitórias, vincando toda a sua hegemonia. As competições internas já eram demasiado pequenas para as justas ambições do clube. O Marítimo começa a interceder junto de vários canais, para se começar a equacionar o acesso dos clubes insulares às divisões nacionais, facto que foi vedado durante décadas. Na mesma altura, de modo a criar uma equipa suficientemente competitiva para representar o futebol madeirense nos campeonatos nacionais, a Associação de Futebol da Madeira faz a proposta de junção dos 4 maiores clubes madeirenses da altura - Marítimo, União, Nacional e Sporting da Madeira. O Marítimo não se opõe à criação dessa equipa, mas recusa aderir ao projecto, indicando que quer ter a hipótese de conseguir o acesso por seu mérito. Após árduas negociações, nas quais se estabeleceu que o clube que obtivesse o primeiro lugar no campeonato regional de 1972/73, disporaria de uma vaga para disputar a liguilha entre os últimos da II Divisão e os primeiros da III Divisão, mas ficando o clube encarregue das despesas das viagens das equipas adversárias e das respectivas equipas de arbitragem, o Marítimo garante essa vaga, vencendo o seu último Campeonato Regional AF Madeira nessa época, sendo a primeira equipa insular a aceder aos nacionais. Destaque-se que a supremacia na Madeira do Marítimo fica vincada pelos 35 Campeonatos da Madeira conquistados disputando esta competição apenas até à época 1972/73. De referir que o clube continuou a disputar até aos dias de hoje uma outra competição de cariz regional em seniores, a Taça da Madeira tendo obtido até ao momento 24 vitórias em 59 edições desta prova, a última das quais em 2006/07.
 
Consolidação nacional
Foi a primeira colectividade fora do espaço continental português a conseguir aceder à I Divisão. Desde aí acumulou 27 presenças no escalão maior do futebol português - 10º clube com mais participações, num total de 73 edições.As sequelas de longos anos sem poder competir de forma regular nos nacionais, são visíveis nos primeiros tempos. O facto dos clubes insulares terem sido arredados de participar nas provas nacionais, mostram as discrepâncias existentes a nível de infra-estruturas e de organização de uma realidade regional face a uma realidade nacional. Mesmo assim em 1976/77 o clube ascende à I Divisão, mantendo-se por lá mais três épocas, fruto da abnegação e raça dos seus jogadores. Face ao semi-profissionalismo existente e a algumas dificuldades de nível logístico, o clube desce de divisão em 1980/81, subindo logo na época seguinte. No entanto este sobe e desce, viria a ter mais uma etapa, volvendo o clube de divisão na época 1982/83. Ao fim de duas épocas, o clube regressa ao convívio dos grandes, estando ininterruptamente desde aí até hoje, consolidando o seu estatuto primo-divisionário e sendo vista como uma equipa que normalmente almeja alcançar as competições europeias.
 
Estatuto europeu
Até ao início da década de 1990, a melhor classificação do clube tinha sido o 9º na época 87/88.  A entrada de um jovem treinador de 35 anos, o ambicioso brasileiro Paulo Autuori, aliado a uma maior organização interna, fazem com que em 1991/92 o clube atinja o 7ºlugar, ficando mesmo às portas de um possível qualificação europeia. Na época 1992/1993 vivia-se os tempos do chamado trio-maravilha (Ademir, Edmilson e Jorge Andrade), apostando Autuori num futebol atractivo e com o terceiro melhor ataque do campeonato (56 golos). A qualificação chega na última jornada, depois de um embate considerado pelo comentarista Gabriel Alves como um os melhores desafios daquela época, frente ao Boavista Futebol Clube, com vitória final do Marítimo por 3-2. Nessa mesma época realce-se ainda as vitórias em casa frente ao Sporting Clube de Portugal (4-2) e frente ao Gil Vicente Futebol Clube (7-0). Novamente o clube era pioneiro, sendo a primeira equipa insular portuguesa a conseguir uma qualificação para uma prova europeia, em virtude do 5ºlugar alcançado. Desde aí o clube tem sido presença assídua nos lugares de destaque no campeonato português, tendo consolidado a sua posição de destaque. Na época de 2007/2008 o clube garantiu mais uma presença europeia (Taça UEFA), terminando o campeonato na 5ª posição com 46 pontos. Depois de uma época sem jogar nas competições europeias, o Marítimo qualifica-se para a edição 2010/2011 da Liga Europa no último jogo do campeonato português, vencendo o Vitória Sport Clube em Guimarães por 1-2, assegurando o quinto lugar na Liga Sagres 2009/2010 e a sua sétima presença em competições da UEFA.
 
Idas ao Jamor
Na época de 1994/95, o clube consegue a qualificação para a final da Taça de Portugal, após derrotar nas meias-finais da prova o Futebol Clube do Porto. Disputa a final com o Sporting Clube de Portugal, que já não vencia qualquer troféu nacional há mais de 10 anos. Num clima adverso, perde por 2 bolas sem resposta, tendo o seu guarda redes Ewerton efectuado uma exibição de sonho. Volvidos 6 anos, em 2000/01 voltam a conseguir atingir a final da Taça de Portugal. Estabeleceu-se então a maior ponte aérea alguma vez registada até então entre a Madeira e Lisboa. Apoiado por mais de 5000 madeirenses que se deslocaram de propósito para ver a final, averba no entanto nova derrota por 2 bolas desta feita contra o Futebol Clube do Porto. No entanto é o único clube Região Autónoma da Madeira a registar presenças na final da prova-rainha do futebol português.
 
Clube único e criação da SAD
O forte investimento feito no início da década de 1990, provocou que em finais dessa década as finanças do clube estivessem no vermelho. Entretanto Alberto João Jardim, ressuscita a ideia do clube único, anseando juntar os três maiores clubes do Funchal - que já haviam estado juntos na IªDivisão no início da década de 1990 - de modo a dispor de uma equipa capaz de lutar pelo título nacional. O projecto suscitou forte oposição da enorme massa adepta, assim como dos seus corpos sociais. Depois do União e do Nacional concordarem com a ideia votando favoravelmente em assembleias-gerais esta proposta, os sócios do Marítimo recusam por esmagadora maioria esta ideia. Fica famosa a vaia que Alberto João Jardim sofre em pleno Caldeirão dos Barreiros, ficando provado que o clube é de longe a maior instituição da Região Autónoma da Madeira. Face ao enorme desgoverno das contas existente e talvez como consequência da recusa popular em aderir à ideia do clube único, o Governo Regional corta com as verbas disponibilizadas para o desporto profissional. Entretanto a nova direcção seguindo o advento das recentes sociedades anónimas desportivas, estabelece com o Executivo madeirense a criação de uma SAD - sendo esta criada em 99 - ficando o clube com 40%, a Região Autónoma da Madeira com outros 40% e os restantes 20% a ficarem na posse de outros accionistas. Ficariam assim regulamentadas as transferências orçamentais e as contrapartidas existentes ("naming" e promoção da região, assim como a promoção do desporto e bem estar da região).
 
Tempos actuais e o futuro
No final dos anos 1990, o Club Sport Marítimo ocupava uma posição quase hegemónica no panorama regional mas à entrada para o novo milénio tem vindo a perder terreno para o Clube Desportivo Nacional, um velho rival que nos últimos anos destronou o União do lugar de principal opositor regional do clube e ressurgiu a lutar pela posição que o Club Sport Marítimo ainda mantém na sociedade madeirense. Continua a ser o clube madeirense mais popular e mais ecléctico, tendo apostado nos últimos anos no apetrechamento o seu património, procurando criar assim bases de sustentação para a prática dos mais variados desportos, fazendo um crescimento sustentado e contribuindo para o bem-estar da Região Autónoma da Madeira, de que é exemplo a construção do seu complexo com pavilhão.
Estão lançadas as bases, para a equipa de futebol voltar a ter um espaço próprio e condigno, depois da saída do mítico campo Almirante Reis, berço de inúmeras glórias que pontificaram no futebol madeirense, sendo que estava projectado esse espaço nascer na Praia Formosa, a oeste do concelho do Funchal, numa zona para onde está projectada uma nova centralidade da cidade. No entanto dificuldades logísticas a nível da aquisição de terrenos aliadas a uma nova realidade financeira da Região Autónoma da Madeira, fizeram abandonar este ambicioso projecto, fazendo com que o actual Estádio dos Barreiros seja objecto de futura reconstrução, passando este recinto das mãos da Região Autónoma da Madeira para o clube. Estima-se que no seu centenário a obra já esteja concluída, oferecendo à região um recinto com todas as condições, para poder acolher eventos internacionais.
Com estatuto estabelecido de equipa que luta para chegar às provas europeias, e habituando os seus adeptos a verem a equipa a lutar para estes objectivos, as duas últimas épocas foram algo sufocantes, fruto de um certo descuido com a componente desportiva, nomeadamente com uma má política de gestão desportiva. No entanto o arranque da época 2007/08 tem sido muito promissor. Paralelamente e pese haja algum distanciamento entre o clube e a sua enorme massa adepta, o clube possui todas as condições para almejar e acreditar num futuro com novas e mais ambiciosas conquistas.
Fonte: Wikipédia, Site Oficial CS Marítimo